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Agrotóxicos na amamentação: benefício supera riscos

05/01/2016 10:08

 

Estudos realizados pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) há alguns anos relataram detecção de resíduos de agrotóxicos em amostras de leite materno. O impacto foi bastante negativo, com questionamento às autoridades sanitárias sobre como tratar a ingestão do leite materno, tendo em vista que estaria impróprio para a nutrição do bebê.

Visando manter a tranquilidade entre as lactentes são necessários alguns esclarecimentos, como os que seguem: 1. Os benefícios da amamentação para o desenvolvimento do bebê, trazendo consequências positivas até a idade adulta, são bem estabelecidos; 2. Todos os mamíferos estão expostos a centenas de substâncias químicas, naturais ou sintéticas, muitas das quais possuem características lipossolúveis, ou seja, tendem a migrar para tecidos adiposos (ricos em gordura) no organismo e assim serem detectadas no leite materno; 3. Agrotóxicos e demais compostos químicos organoclorados são lipossolúveis e persistentes, de modo que relatos de seu acúmulo no leite materno não representam fato novo e já foram documentados em diversos países, não tendo sido demonstrado até o momento qualquer correlação com efeitos adversos à saúde do bebê; 4. Os organoclorados persistentes foram banidos no Brasil e na maioria dos países há décadas, de modo que indivíduos mais jovens (e menos obesos) contêm menores níveis dessas substâncias em seus organismos, quando comparados a indivíduos mais velhos (e mais obesos), o que também se aplica às lactantes; e 5. À luz do conhecimento científico atual, não há evidências de que essas substâncias, nos níveis residuais que têm sido detectados no leite materno, possam causar efeitos negativos à saúde do bebê, a ponto de neutralizar os efeitos positivos da amamentação.

Considerando o dinamismo na evolução do conhecimento, a Anvisa tem procurado se manter alinhada às recomendações internacionais na matéria, incluindo da Organização Mundial de Saúde - OMS. A Agência se mantém igualmente atualizada quanto ao surgimento de fatos novos que possam elevar o nível de preocupação à saúde do lactente, mediante exposição a agrotóxicos e demais substâncias químicas eventualmente presentes no leite materno.

Segue leitura recomendada sobre o tema, da Univ. Califórnia/EUA: http://coeh.berkeley.edu/bridges/Spring2012/PesticidesBM.html